Há alguns anos publiquei em meu blog um trecho do RCNEI que continua atual e necessário. Ele nos lembra que fazer matemática não é repetir contas prontas, copiar números no caderno ou seguir instruções mecanicamente. Fazer matemática é pensar, argumentar, testar caminhos, ouvir o outro, defender ideias e reconstruí-las quando necessário.
Essa visão permanece viva e ganha novo fôlego com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que compreende a matemática como uma área de conhecimento fundamental para a leitura do mundo, para a resolução de problemas cotidianos e para o desenvolvimento do raciocínio lógico, crítico e criativo.
Na Educação Infantil, a matemática começa muito antes do lápis no papel. Ela aparece quando a criança organiza brinquedos, percebe quantidades, compara tamanhos, identifica formas, cria sequências, observa o tempo, divide materiais e explora o espaço ao seu redor. Está no brincar, no contar passos, no repartir o lanche, no perceber quem chegou primeiro ou quem tem mais peças.
Nessa etapa, o mais importante não é antecipar conteúdos formais, mas garantir experiências significativas. A criança aprende matemática tocando, experimentando, perguntando e descobrindo. Aprende quando participa de situações reais e quando o professor transforma o cotidiano em oportunidade de investigação.
Nos anos iniciais, especialmente no 1º e 2º ano, esse percurso se amplia. A alfabetização e o letramento matemático caminham juntos. A criança passa a registrar ideias, compreender números com maior profundidade, resolver problemas simples, construir estratégias de cálculo, reconhecer padrões, interpretar informações e comunicar seu pensamento.
Mais do que acertar resultados, importa compreender processos. Quando uma criança explica como pensou para resolver uma situação, ela revela muito mais do que um número final. Revela raciocínio, autonomia e construção de conhecimento.
A BNCC reforça que o ensino da matemática deve promover competências ligadas à investigação, argumentação, comunicação e uso de diferentes estratégias. Isso significa que a sala de aula precisa ser espaço de diálogo, desafio e descoberta.
Ainda hoje, em muitos contextos, a matemática é apresentada como algo distante, rígido e temido. Mas ela pode e deve ser viva. Pode nascer de tampinhas, blocos, jogos, histórias, calendários, receitas, mapas, brincadeiras e perguntas simples que abrem grandes caminhos.
Ensinar matemática é também acreditar que toda criança pode aprender, desde que encontre mediação sensível, intencionalidade pedagógica e oportunidades reais de pensar.
Quando oferecemos isso, deixamos de formar apenas executores de tarefas e passamos a formar sujeitos que observam, questionam, escolhem caminhos e resolvem problemas com autonomia.
E talvez essa seja uma das mais belas funções da matemática na escola: ensinar a criança a confiar no próprio pensamento.


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