Letramento na Educação Básica: da alfabetização à participação social

Falar de letramento é falar de vida em movimento dentro da escola. Diferente da alfabetização, entendida como a aprendizagem do sistema de escrita alfabética, o letramento diz respeito ao uso social da leitura e da escrita em práticas reais. 

Letramento na Educação Básica

A pesquisadora Magda Soares define letramento como o estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever, mas participa efetivamente das práticas sociais que envolvem a língua escrita. Já Brian Street, nos Novos Estudos do Letramento, reforça que não existe um único letramento, mas múltiplos letramentos, pois cada contexto social produz suas próprias formas de ler e escrever.

Ou seja: alfabetizar é ensinar o código; letrar é ensinar a usar o código com sentido.

Por que o letramento precisa estar no cotidiano pedagógico?

Porque a criança aprende linguagem vivendo linguagem. Paulo Freire já nos lembrava que a leitura da palavra nasce da leitura do mundo. Quando o ensino se limita a exercícios mecânicos, o estudante pode até decodificar letras, mas não se torna sujeito leitor.

Letramento na Educação Básica

Ações práticas de letramento para sala e escola

Deixamos abaixo, algumas estratégias fundamentadas em estudos consolidados da área que podem auxiliar o fazer docente na promoção deste letramento nas salas de aula. 

1. Rotina diária de leitura significativa


Base teórica: Magda Soares; Isabel Solé (estratégias de leitura).
Como fazer: leitura em voz alta pelo professor, leitura compartilhada e silenciosa, com conversas interpretativas depois (não questionários mecânicos.)
Objetivo: mostrar que ler é um ato social e interpretativo.

2. Escrita com propósito real

Base teórica: Angela Kleiman — práticas sociais de linguagem.
Como fazer: produção de bilhetes, listas, convites, notícias, cartazes, e-mails simulados, regras de jogos, receitas.
Objetivo: a criança escreve porque precisa comunicar algo, não apenas para “treinar”.

3. Ambientes letradores

Base teórica: Tfouni — letramento como prática social.
Como fazer: murais com textos reais, cantinho da leitura, etiquetas na sala, calendário funcional, painel de notícias da turma.
Objetivo: fazer a escrita circular no espaço escolar.

4. Projetos de leitura e escrita

Base teórica: Dolz e Schneuwly — sequências didáticas e gêneros textuais.
Como fazer: projeto jornal da escola, feira literária, produção de livro coletivo, podcast de histórias.
Objetivo: trabalhar gêneros reais com finalidade comunicativa.

5. Interação oral como parte do letramento

Base teórica: Vygotsky — linguagem como mediadora do pensamento.
Como fazer: rodas de conversa, debates, apresentações orais, dramatizações.
Objetivo: fortalecer a competência discursiva que sustenta leitura e escrita.

Papel do professor: mediador cultural da linguagem

Letramento na Educção Básica - Como fazer?

O educador letrador não é apenas quem ensina letras; é quem cria experiências de linguagem. Ele organiza situações em que o aluno possa:

👉lê para descobrir,
👉escreve para agir,
👉fala para participar,
👉escuta para compreender.

Nesse processo, o professor atua como mediador entre a criança e a cultura escrita, papel essencial apontado por estudos socioconstrutivistas da aprendizagem.


RESUMINDO: letramento não é um conteúdo a ser dado; é uma prática a ser vivida. Quando a escola transforma leitura e escrita em experiências significativas, ela não apenas ensina língua, ela forma sujeitos que pensam, interpretam e transformam o mundo.

 
Sugestões de leitura para se aprofundar no tema: 
 

Até Breve!

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