O que não pode faltar na rotina de alfabetização

O que não pode faltar na Alfabetização
 
A alfabetização não acontece por acaso. Ela nasce da repetição consciente, da intencionalidade pedagógica e de uma rotina que dá segurança tanto ao professor quanto à criança. 

Quando a rotina é clara, o aluno sabe o que esperar. Quando o professor sabe o que priorizar, o processo flui.

Mais do que uma sequência engessada de atividades, a rotina de alfabetização precisa ser um chão firme, onde a aprendizagem possa acontecer todos os dias.

A seguir, compartilho os elementos que não podem faltar em uma rotina de alfabetização bem estruturada, especialmente no 1º e 2º ano do Ensino Fundamental. 

1. Acolhimento e escuta no início do dia

Embora a alfabetização seja uma tarefa trabalhosa e cheia de desafios, não podemos esquecer que antes das letras, vem o sujeito. A criança precisa se sentir pertencente ao espaço escolar para aprender.

Para realizar o acolhimento não precisamos de ação mirabolantes, ele pode acontecer de forma bem simples, veja:

- uma roda de conversa curta
- uma música
- um combinado coletivo
- um momento de fala livre
 
Esse início organiza emocionalmente o grupo e prepara o terreno para a aprendizagem. Lembre-se que alfabetizar também é criar vínculo.

2. Contato diário com a leitura

Não existe alfabetização sem leitura diária. E aqui, leitura não é tarefa, é experiência. Assim é imprescindível que em uma sala de aula de 1º e 2º anos tenha:

- leitura feita pelo professor
- leitura compartilhada
- exploração de imagens e títulos
- antecipação de sentidos

O importante é que a criança perceba que o texto tem função, ritmo e intenção. E ela só perceberá essas características se tiver contato com um leitor, porque assim vai criando hábitos. Ler todos os dias cria familiaridade com a linguagem escrita — e isso faz muita diferença.
 

3. Escrita com sentido (desde o começo)

Escrever não pode ser apenas copiar. Mesmo antes de dominar o sistema de escrita alfabética, a criança precisa vivenciar momentos em que seja estimulada a: 

- escrever do jeito que sabe
- arriscar hipóteses
- experimentar

Listas, bilhetes, legendas, nomes, pequenas frases… São apenas alguns exemplos de atividades que devem fazer parte desta rotina. 
 
 
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 4. Atividades focadas no sistema de escrita alfabética (SEA)

Este trabalho é bem específico e essencial para que a alfabetização ocorra de forma clara e segura.
 
- Atividades com consciência fonológica
- relação som/letra
- segmentação de palavras
- comparação de escritas
 
Essas atividades devem aparecer na rotina diariamente de forma intencional e progressiva. Pois, quando são pontuais ou pouco e constante não cumprem sua missão que é a compreensão do SEA. 
 

5. Leitura e escrita em diferentes gêneros

Aprendemos a ler e escrever porque é desta forma que nos comunicamos no mundo. Então, torna-se essencial neste processo de Alfabetização que a criança entenda que a escrita circula no mundo. E ela vai se apropriar deste saber quando tiver contato com: 

- textos variados
- gêneros reais

Quando estes materiais são incluídos na rotina começam a fazer sentido e auxilia a criança na compreensão da função da escrita e da leitura. 

Convites, receitas, parlendas, histórias, listas, poemas… Quanto mais diversidade, mais repertório melhor o desempenho das crianças no letramento. 
 

6. Momentos de sistematização

A rotina também precisa de pausas para organizar o que foi aprendido. E esta sistematização essencial, pois traz para as crianças um momento onde elas podem: 

- retomar conteúdos
- registrar descobertas
- consolidar aprendizagens

Pode ser um cartaz coletivo, um registro no caderno ou uma conversa orientada. Aprender também é organizar o pensamento. 
 

7. Observação e registro do professor

Aprender é mudar de comportamento. E esta é uma ação que acontece de forma silenciosa, pois ela se materializa em atitudes. Por isto o olhar atento do professor é imprescindível. Durante a rotina ele precisa estar atendo para observar:

- como a criança escreve
- como lê
- como participa
- quais estratégias utiliza

E, fazer registros sobre o que observa pode orientar as intervenções, replanejamentos e decisões pedagógicas que poderá realizar para auxiliar as crianças na progressão de suas aprendizagens
 
Vale pensar aqui, que neste momento de observação as anotações não precisam ser de todas as crianças. Elas podem ser pontuais e sobre aquelas atitudes que naquele momento chamam a atenção.  Lembrando sempre que avaliar não é punir, é compreender o processo.
 

8. Previsibilidade com flexibilidade

Elisa Lucinda já dizia! - "Parem de falar Mal da rotina!" E aqui temos outro ponto muito sensível, que requer atenção dos professores! Uma boa rotina é previsível, mas ela não pode ser rígida.

A intenção quando organizamos uma rotina é que as crianças saibam: 

- o que acontece
- quando acontece
- por que acontece

Mas o professor também precisa ter liberdade para ajustar, retomar ou aprofundar quando necessário. Não é necessário, por exemplo, realizar todo dia a chamadinha da mesma forma. É necessário realizar a chamadinha, como ela será realizada dependerá da proposta que será feita pelo professor. Desta forma, a rotina serve à aprendizagem, não o contrário.

Para finalizar

Quando o professor tem clareza de sua ação dentro da sala de aula, ele tem segurança para agir e consequentemente: 

- dá segurança às crianças,
- organiza o tempo
- potencializa a aprendizagem
- respeita o ritmo das crianças
 
E assim, mais do que cumprir etapas, estas ações sustentam processos e auxiliam para que a alfabetização aconteça com mais leveza, intencionalidade e resultados reais.
 

Quer ler mais sobre este tema? 

Deixo abaixo algumas indicações de leitura 
 
📖 Sistema de escrita alfabética (Como eu ensino) -  Artur Gomes de Morais
📖 Alfaletrar: Toda criança pode aprender a ler e a escrever - Magda Soares
📖 Alfabetização e letramento -  Magda Soares
📖 Alfabetização: A questão dos métodos -  Magda Soares
📖 Alfabetização: por onde começar?: Um método neurocientífico eficiente para ensinar a ler de verdade - Luciana Brites 
 
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